PÁGINAS NOVA SAGRES

domingo, 25 de outubro de 2015

Precursores do Espiritismo

Numa obra intitulada: Charles Fourier, sua vida e suas obras, por Pellarin, encontrasse uma carta de Fourier ao Sr. Muiron, datada de 3 de dezembro de 1826, pela qual ele prevê os fenómenos futuros do Espiritismo.
 
Ela está assim concebida:
"Parece que os Srs. C. e P. renunciaram ao seu trabalho sobre o magnetismo. Eu apostaria que eles não fariam valer o argumento fundamental: é que, se tudo está ligado no universo, devem existir os meios de comunicação entre as criaturas do outro mundo e deste; quero dizer: comunicação de faculdades, participação temporária e acidental das faculdades dos ultramundanos ou defuntos, e não comunicação com eles. Esta participação não pode ter lugar no estado de vigília, mas somente num estado misto, como o sono ou outro. Os magnetizadores encontraram esse estado? Eu o ignoro? mas, em princípio, sei que deve existir."
Fourier escreveu isto em 1826, a propósito dos fenómenos sonambúlicos; ele não poderia ter nenhuma ideia dos meios de comunicação direta descobertos vinte e cinco anos mais tarde, e nem lhe concebia a possibilidade senão num estado de desligamento, aproximando de alguma sorte os dois mundos; mas ele não tinha menos a convicção do fato principal, o da existência dessas relações.
Sua crença sobre um outro ponto capital, o da reencarnação sobre a Terra, é ainda mais precisa quando ele diz: Tal mau rico poderá retornar mendigo à porta do castelo do qual foi o proprietário. É o princípio da expiação terrestre nas existências sucessivas, em tudo semelhante ao que ensina o Espiritismo, segundo os exemplos fornecidos por essas
mesmas relações entre o mundo visível e o mundo invisível. Graças a essas relações, esse princípio de justiça, que não existia no pensamento de Fourier senão no estado de teoria ou de probabilidade, tornou-se uma verdade patente.
(Revista Espírita de fevereiro de 1859).